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Janelas abertas por dentro

A cura pela literatura estrutura este livro. A necessidade de gerar cicatrizes produziu essas crônicas poéticas a partir de uma viagem à China feita por ela. São quase poemas, quase fachos acionados por diálogos travados entre a dor, a beleza, a sofreguidão e o desejo mútuo de abrir janelas por dentro, a serviço de uma clareira na escuridão de muitos trechos da vida. Ela, prematura em perdas, precisando suportar o peso das separações compulsórias. Ele, com o dom de responder com atenção plena às demandas que a tristeza e a solidão geram nos campos alheios. Ela com o excesso de bagagem causado por ausências. Ele, com o ofício de se tornar pãe sem pragmatismo algum. De repente, ambos tinham apenas sentimentos difusos e palavras e distâncias. Ela mudou de hemisfério como quem sonhava com os avessos do mundo. Ele abriu uma janela na imaginação para vê-la. Ela abriu outra janela em busca de contemplações internas e externas. Os dois queriam apenas vislumbres. Acharam esta obra.

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